
Creio que se pode dizer que
O Bom Alemão, de Steven Soderbergh, é um filme
incrustado na técnica de outra época (a década de 1940, com os seus emblemáticos melodramas de guerra). Ou melhor: um filme que, embora partindo de um aparato técnico completamente diferente, nos remete para as memórias das formas do cinema clássico de Hollywood. E vale a pena sublinhar as diferenças técnicas que geram as "semelhanças" visuais: afinal de contas, as imagens de
O Bom Alemão resultam de uma filmagem a cores em que o tratamento do laboratório de
technicolor é essencial para chegar ao... preto e branco.
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Sugestão: a leitura de um texto de Larry Gross — argumentista de
We Don't Live Here Anymore/Desencontros (2004), de John Curran —, precisamente sobre o modo como algum cinema contemporâneo se apropria de matrizes clássicas para as repensar e, de alguma maneira, refazer através de novos recursos técnicos, em particular de natureza digital. O tema de Larry Gross é
Zodiac, o
novo filme de David Fincher (estreia portuguesa: 17 Maio).